Paixão pela arena começou por acaso durante plantão policial em 1996 em Rio Branco do Ivaí
Um ex-policial militar de Apucarana virou locutor da Festa do Peão de Barretos (SP), um dos maiores eventos de rodeio e de música sertaneja da América Latina. Alexandre Aparecido da Rocha (51), o Xandão, estreou nesta segunda-feira (24) no comando da Liga Nacional de Rodeios (LNR) diante de 20 mil pessoas no Estádio de Rodeios de Barretos. Até quarta-feira (29), ele será um dos responsáveis pela narração das montarias. Para o apucaranense, chegar à Festa de Barretos é a realização de um sonho.
Xandão conta que o evento é um dos marcos mais importantes de sua carreira, iniciada por acaso em 1996, há exatos 30 anos, quando ele havia acabado de ingressar na Polícia Militar do Paraná (PM-PR). Com 21 anos, o locutor diz que foi escalado para trabalhar na cidade de Rio Branco do Ivaí, no Vale do Ivaí, onde aconteceria um rodeio. O que parecia ser apenas mais um plantão se transformou no ponto de partida para a sua paixão pela locução.
“Quando eu entrei na polícia em Apucarana, eles me mandaram para a cidade de Rio Branco do Ivaí, onde estava tendo rodeio. Fiquei em um hotel junto com peões, donos de bois e cavalos, e também com o locutor. Ali comecei a ter essa interação e amizade com esse pessoal”, revela Xandão ao TNOnline.
Hospedado com os protagonistas do rodeio, Alexandre despertou sua paixão pelo sotaque peculiar e pela cultura da arena. Com o passar do tempo, as visitas viraram rotina. Nos finais de semana, Xandão passou a frequentar eventos para conversar com os profissionais do meio e treinar os famosos versos.
“Eu comecei a pegar gosto pela maneira como eles falavam, o sotaque deles, que é diferenciado, peculiar. Então, comecei a frequentar rodeios e comecei a decorar esses versinhos também”, conta.
A carreira, contudo, foi construída com muita resiliência. O primeiro cachê veio em 2001, na cidade de Ângulo, na região de Maringá, quando a humilde recompensa financeira mal dava para cobrir os custos do combustível do seu Voyage 1986, mas serviu de faísca para mostrar que daria certo.
“Eu me lembro que recebi 25 reais. Deu para pagar o combustível do carro, mas, para mim, aquilo teve um valor tão grande quanto narrar em Barretos. É um valor que não custeou nada da minha despesa, mas me deu uma esperança — e valeu a pena”, destaca.
Três décadas após aquele plantão, o esforço encontrou seu reconhecimento máximo. A convocação para narrar o maior evento da América Latina veio após uma rigorosa seleção de 12 vozes entre mais de 100 comunicadores avaliados em todo o país. O peso da competição é internacional. O campeão da etapa narrada por Xandão ganha o passaporte direto para o The American, em Arlington, no Texas, disputando o maior evento de rodeios do planeta, com um prêmio de um milhão de dólares.
Aposentado após 26 anos de dedicação à Polícia Militar do Paraná, Alexandre hoje equilibra a vida na arena com o cotidiano em Apucarana, onde é casado há 30 anos e desfruta da companhia da filha e das netas. Olhando para trás, ele resume o sentimento e conta que estar na arena é um sonho realizado, com a certeza de que ainda há muito a evoluir e aprender.
“Olhando para tudo que aconteceu, a sensação é de orgulho e de realização, mas também de motivação para buscar evoluir cada vez mais e melhorar como pessoa, como profissional e como comunicador. Busco ao máximo deixar a minha vaidade de lado para me comunicar cada vez melhor. Assim, a gente busca sempre algo mais”, conclui.


