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quinta-feira - 30 abril - 2026
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EUA reforçam influência na América Latina e colocam Brasil no centro do tabuleiro geopolítico

O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Augusto Teixeira, avalia que os Estados Unidos vivem um momento de reorganização de sua política externa na América Latina e no Caribe, impulsionado pelos recentes acontecimentos na Venezuela e pela retomada de princípios ligados à Doutrina Monroe, agora somados ao chamado “corolário Trump”.

Segundo o especialista, os episódios registrados na Venezuela no dia 3 de janeiro sinalizam um retorno à visão de que o hemisfério americano deve ser tratado como uma área de influência direta dos Estados Unidos. Nesse contexto, Washington tende a adotar estratégias de pressão política, sanções econômicas e apoio a grupos de oposição para manter sua presença estratégica na região.

Para Teixeira, países como Colômbia, México, Cuba e Brasil ocupam posições-chave nesse cenário, funcionando como peças centrais em um tabuleiro geopolítico cada vez mais disputado, especialmente diante da crescente presença da China na América Latina.

“O que é importante considerar é que os Estados Unidos, dentro de um contexto de estratégia de pressão coercitiva contra a Venezuela, não conseguiram realizar a chamada decapitação da liderança. Hoje, existe um vácuo político, com diferentes grupos disputando a orientação do regime”, analisa o professor.

Em relação ao Brasil, Teixeira destaca que, apesar de o país não ser alvo direto das primeiras críticas do ex-presidente Donald Trump — como ocorreu com México, Groenlândia e Venezuela —, o Brasil ocupa uma posição central na geopolítica regional.

“O Brasil é uma peça essencial nesse tabuleiro de xadrez. Não apenas por ser a maior economia da região e uma potência regional, mas também pelo adensamento de suas relações com a China, que é o principal interlocutor estratégico e o maior desafio à hegemonia americana no hemisfério”, afirma.

De acordo com o especialista, essa relação mais estreita entre Brasil e China coloca o país no centro das atenções da política externa norte-americana, mesmo que de forma indireta, reforçando sua importância estratégica no equilíbrio de forças na América Latina.

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