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sábado - 20 junho - 2026
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Prisão domiciliar de Bolsonaro repercute internacionalmente e provoca reação dos EUA

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro repercutiu fortemente no cenário internacional, especialmente nos Estados Unidos. A medida foi tomada após suposto descumprimento de restrições judiciais impostas a Bolsonaro, que está proibido de utilizar redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

A reação mais contundente veio do Office of Western Hemisphere Affairs, órgão ligado ao Departamento de Estado dos EUA. Em postagem feita na rede social X (antigo Twitter), o escritório classificou Moraes como “violador de direitos humanos” e o acusou de utilizar instituições brasileiras para “silenciar a oposição e ameaçar a democracia”. A publicação, feita em inglês e português, incluía a frase: “Deixem Bolsonaro falar” e foi compartilhada pela Embaixada dos EUA no Brasil, aumentando a tensão diplomática entre os dois países.

A manifestação ocorre em meio à expectativa da entrada em vigor de tarifas comerciais de 50% sobre produtos brasileiros, impostas pelo governo americano. Grupos pró-Bolsonaro associaram as sanções comerciais à situação judicial do ex-presidente.

Atualmente, Bolsonaro está recluso em sua residência, em Brasília, podendo sair apenas com autorização expressa do STF para situações específicas, como consultas médicas. Ele é obrigado a usar tornozeleira eletrônica, está proibido de acessar redes sociais, utilizar celulares e receber visitas sem autorização, exceto advogados — que também têm limitações quanto ao uso de aparelhos eletrônicos durante os encontros.

De acordo com Moraes, Bolsonaro teve uma “participação dissimulada” nas manifestações do último domingo, inclusive com material previamente gravado, o que, segundo o ministro, teria o objetivo de “coagir o STF e obstruir a Justiça”. Entre as evidências citadas está uma ligação feita pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) durante o ato na Avenida Paulista. O ministro considerou que a violação das medidas foi tão clara que o próprio filho do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apagou a publicação com o vídeo do pai.

Flávio Bolsonaro criticou duramente a decisão em entrevista à CNN Brasil:

“É mais um capítulo triste da história do Brasil. Agora vivemos oficialmente uma ditadura, onde uma única pessoa decreta a prisão de um ex-presidente da República”, afirmou, alegando que o vídeo durou apenas 15 segundos e que não houve irregularidades.

Outros membros da família também se manifestaram. O deputado federal Eduardo Bolsonaro, dos Estados Unidos, chamou Moraes de “violador dos direitos humanos”. Já o vereador Carlos Bolsonaro, ao saber da decisão, passou mal e precisou de atendimento médico em um hospital na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Caso o ex-presidente volte a desrespeitar as medidas impostas pelo Supremo, sua prisão domiciliar poderá ser convertida em prisão preventiva, com recolhimento em unidade prisional.

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